Em 1999, como jornalista da Gazeta Mercantil, fui a Janaúba, 100 km depois de Montes Claros, no Norte de Minas – e ao lado do Projeto Jaíba. A ideia era mostrar como a região estava se transformando num dos mais dinâmicos e promissores pólos de fruticultura do país. Na época, iniciei a matéria dizendo que havia uma "revolução silenciosa" transformando a economia da região. Pois bem. A região realmente se transformou, e parece fadada a puxar boa parte da economia mineira nos próximos anos.
Naquele ano, a Brasnica, uma das maiores produtoras de banana do país, operava apenas com essa fruta. Hoje, já acrescentou ao seu portfólio cajá, manga, atemoia, pinha, pitaia, mamão e romã, tudo produzido na região. Sua subsidiária Seiko trabalha com pó desidratado e cápsultas de beringela, banana, maracujá e outros produtos, vendidos principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo.
A Epamig local está desenvolvendo um iogurte à base de soja. A mesma soja, torrada, vai virar patê. Do Projeto Jaíba, sai uma das melhores alfaces americanas do pais e o pepino que integra vários sanduíches do McDonald's.
O projeto Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, já está na fase de construir moradias de R$ 80 mil em Janaúba, e movimenta a construção civil na região.
E, finalmente, há o ouro e o minério. O ouro explorado pela Carphatian Gold em Riacho dos Machados já transformou a vida da cidade. Criou empregos e cursos técnicos. A empresa é canadense. Por conta disso, paga-se cerca de R$ 3 mil para intérpretes de inglês na região – um salário portentoso no Norte de Minas. A rede hoteleira da cidade está completamente ocupada, e mesmo na vizinha Porteirinha os hotéis estão arrendados pela empresa para abrigar seus executivos e empregados.
A Vale começa a adquirir terrenos em Rio Pardo de Minas, onde existe uma das maiores províncias de minério de ferro do país. Neste ponto, esperamos que a Vale, que se autoproclama uma empresa socialmente responsável, ao lado das autoridades legais, atuem com ética na aquisição de terrenos de moradores que, muitas vezes, vivem da subsistência de suas terras.
Com a melhoria de vida, os habitantes de Montes Claros estão invadindos distritos de Diamantina e São Gonçalo do Rio Preto, onde compram sítios e oferecem empregos de caseiro à população local.
Enfim, o Norte de Minas está bombando e abrindo oportunidades de negócios, investimentos e empregos. Empresários brasileiros, coloquem a região em seus radares.
Espetacular essa sua abordagem abrangente sobre o norte de Minas. Muito bom recomeçar a lê-lo. Abraços. Clara
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